quarta-feira, 3 de julho de 2013

Desmilitarizar e unificar a polícia






Como podemos ver a questão policial agrava-se no País, como mostraram as greves da Bahia e do Rio de Janeiro. Mais os mais interessados neste processo simplesmente não querem debater sobre a desmilitarização, o que podemos dizer com toda a certeza sobre a policia militar do Brasil é que ela até hoje demonstra a sua total deficiência no "CORPO DA POLICIA MILITAR", pois em pleno século XXI, que trata de tecnologia e inteligência ainda temos uma polícia militarizada, precisamos de uma polícia única, que faz o trabalho completo e não pela metade para outra terminar.



Precisamos de uma polícia cidadã, e não militar, pois não se trata de guerra e sim cidadania, pois a verdade violação dos direitos humanos acontecem dentro destas instituições falidas, que por ser militar, calam a boca de muitos inocentes.

A desmilitarização da Polícia Militar seria um rompimento com um verdadeiro estado de exceção dentro do estado democrático de direito, ou seja, é uma ditadura que os subordinados vivem dentro de uma instituição policial.

Estes são submetidos a um código extremamente severo ferindo um princípio basilar da constituição que o da igualdade. Nesse sentido, vem uma pergunta: por que o cidadão civil tem penas mais brandas, uma vez que todos nós somos pertencentes a uma única sociedade?

Lhe Respondo: Como também, o código de ética que também fere princípios constitucionais como o da liberdade, por exemplo, em que o subordinado é obrigado a cumprimentar seu superior, ou seja, infelizmente nossa corporação é repleta de normas imorais.

Por isso eu credito que a desmilitarização é importantíssima. Não confunda desmilitarização com hierarquia dentro dos setores privados e da nossa própria Policia, pois a hierarquia iria ainda existir como acontece em grandes empresas e grandes órgãos públicos e privados.

O que de fato acontece é que grande partes dos Oficias se dizem dono da verdade, que não aceita argumentos e nem sugestão para o bom andamento do serviço. E alem do mais a maiorias dos oficiais são os primeiros a se corromperem dentro da instituição.

Com sua visão de Lobo atrás de suas ovelhas querem demonstrar a sociedade que estão lutando contra a violência urbana e a corrupção Policial, pois devemos deixar de demagogia, muitos sabem e pensam que a grande corrupção na Policia se da através de Praças em geral, mas pelo contrario que se desmilitarizassem as policias do BRASIL,  e se todos pudessem fiscalizar um ao outro, com toda a certeza teríamos um crescimento muito grande no gráfico de corrupção onde outra classe " OFICIAIS" iriam crescer e as dos "PRAÇAS" iriam diminuir.

Enfim quem tem poder não quer perde-lo não é? É para nós observamos perfeitamente no que estamos falando é só fazer uma pesquisa, onde o tema poderia ser o seguinte "Você concordariam com a desmilitarização?"

Iria ser claro os números onde 98% dos Oficiais todos poderosos irão discordar.

Não pensem que a PEC 102 é a melhor para o policial militar praça, leia o texto da PEC e verá que o mais beneficiado será o OFICIAL, que passará ter status de delegado, enquanto o praça continuará do mesmo jeito, então não podemos aceitar o que estão novamente querendo nos impor, devemos debater sobre este tema, é preciso que você POLICIAL MILITAR DO BRASIL e toda a sociedade debatam, que pensem como criar uma nova polícia, pois não basta apenas reformar as policias, tanto civil quanto militar, é preciso criar uma nova policia.

Então lhe peço leia o texto abaixo, e debata com seu companheiro de serviço, mostre que você quer uma mudança urgente neste modelo falido que temos hoje.

 

A  Polícia Militar brasileira é um modelo anacrônico de segurança pública que favorece abordagens policiais violentas, com desrespeito aos direitos fundamentais do cidadão 

Uma das heranças mais malditas que a ditadura militar nos deixou é a dificuldade que os brasileiros têm de distinguir entre as funções das nossas Forças de Segurança (polícias) e as das nossas Forças Armadas (exército, marinha, aeronáutica). A diferença é muito simples: as Forças de Segurança garantem a segurança interna do Estado, enquanto as Forças Armadas garantem a segurança externa. Polícias reprimem criminosos e forças armadas combatem exércitos estrangeiros nos casos de guerra.

Diante das desmensuradas diferenças de funções existentes entre as Forças de Segurança e as Forças Armadas, é natural que seus membros recebam treinamento completamente diferente. Os integrantes das Forças Armadas são treinados para enfrentar um inimigo externo em casos de guerra. Nessas circunstâncias, tudo que se espera dos militares é que matem os inimigos e protejam o território nacional. Na guerra, os prisioneiros são uma exceção e a morte é a regra.

As polícias, por outro lado, só deveriam matar nos casos extremos de legítima defesa própria ou de terceiro. Seu treinamento não é para combater um inimigo, mas para neutralizar ações criminosas praticadas por cidadãos brasileiros (ou por estrangeiros que estejam por aqui), que deverão ser julgados por um poder próprio da República: o Judiciário. Em suma: enquanto os exércitos são treinados para matar o inimigo, polícias são treinadas para prender cidadãos. Diferença nada sutil, mas que precisa sempre ser lembrada, pois muitas vezes é esquecida ou simplesmente ignorada, como na intervenção no Complexo do Alemão na cidade do Rio de Janeiro ou em tantas outras operações na qual o exército tem sido convocado para combater civis brasileiros.

O militarismo se justifica pelas circunstâncias extremas de uma guerra, quando a disciplina e a hierarquia militares são essenciais para manter a coesão da tropa. O foco do treinamento militar é centrado na obediência e na submissão, pois só com estas se convence um ser humano a enfrentar um exército inimigo, mesmo em circunstâncias adversas, sem abandonar o campo de batalha. Os recrutas são submetidos a constrangimentos e humilhações que acabam por destituí-los de seus próprios direitos fundamentais. E se o treinamento militar é capaz de convencer um soldado a se deixar tratar como um objeto na mão de seu comandante, é natural também que esse soldado trate seus inimigos como objetos cujas vidas podem ser sacrificadas impunemente em nome da sua bandeira.

A sociedade reclama do tratamento brutal da polícia, mas insiste em dar treinamento militar aos policiais, reforçando neles, a todo momento, os valores de disciplina e hierarquia, quando deveria ensiná-los a importância do respeito ao Direito e à cidadania. Se um policial militar foi condicionado a respeitar seus superiores sem contestá-los, como exigir dele que não prenda por “desacato à autoridade” um civil que “ousou” exigir seus direitos durante uma abordagem policial? Se queremos uma polícia que trate suspeitos e criminosos como cidadãos, é preciso que o policial também seja treinado e tratado como civil (que, ao pé da letra, significa justamente ser cidadão).

O treinamento militarizado da polícia brasileira se reflete em seu número de homicídios. A Polícia Militar de São Paulo mata quase nove vezes mais do que todas as polícias dos EUA, que são formadas exclusivamente por civis. Segundo levantamento do jornal Folha de S. Paulo divulgado em julho deste ano, “de 2006 a 2010, 2.262 pessoas foram mortas após supostos confrontos com PMs paulistas. Nos EUA, no mesmo período, conforme dados do FBI, foram 1.963 ‘homicídios justificados’, o equivalente às resistências seguidas de morte registradas no estado de São Paulo”.Neste estado, são 5,51 mortos pela polícia a cada 100 mil habitantes, enquanto o índice dos EUA é de 0,63 . Uma diferença bastante significativa, mas que, obviamente, não pode ser explicada exclusivamente pela militarização da nossa polícia. Não obstante outros fatores que precisam ser levados em conta, é certo, porém, que o treinamento e a filosofia militar da PM brasileira são responsáveis por boa parte desses homicídios.

Nossa Polícia Militar é uma distorção dos principais modelos de polícia do mundo. Muitos países europeus possuem gendarmarias, que são forças militares com funções de polícia no âmbito da população civil, como a Gendarmerie Nationale na França, os Carabinieri na Itália, a Guardia Civil na Espanha e a Guarda Nacional Republicana em Portugal. As gendarmarias, porém, são bem diferentes da nossa Polícia Militar, a começar pelo fato de serem nacionais, e não estaduais. Em geral, as atribuições de policiamento das gendarmarias europeias se restringem a áreas rurais, cabendo às polícias civis o policiamento, tanto ostensivo como investigativo, das áreas urbanas, o que restringe bastante o âmbito de atuação dos militares. As gendarmarias europeias também são polícias de ciclo completo, isto é, realizam não só o policiamento ostensivo, mas também são responsáveis pela investigação policial.

No Brasil, a Constituição da República estabeleceu no seu artigo 144 uma excêntrica divisão de tarefas, na qual cabe à Polícia Militar realizar o policiamento ostensivo, enquanto resta à Polícia Civil a investigação policial. Esta existência de duas polícias, por óbvio, não só aumenta em muito os custos para os cofres públicos que precisam manter uma dupla infraestrutura policial, mas também cria uma rivalidade desnecessária entre os colegas policiais que seguem duas carreiras completamente distintas. O jovem que deseja se tornar policial hoje precisa optar de antemão entre seguir a carreira de policial ostensivo (militar) ou investigativo (civil), criando um abismo entre cargos que seriam visivelmente de uma mesma carreira.

Nos EUA, na Inglaterra e em outros países que adotam o sistema anglo-saxão, as polícias são compostas exclusivamente por civis e são de ciclo completo, isto é, o policial ingressa na carreira para realizar funções de policiamento ostensivo e, com o passar do tempo, pode optar pela progressão para os setores de investigação na mesma polícia. Para que se tenha uma ideia de como esse sistema funciona, um policial no Departamento de Polícia de Nova York (NYPD) ingressa na carreira como agente policial (police officer) para exercer atividades de polícia ostensiva (uniformizado), tais como responder chamadas, patrulhar, perseguir criminosos etc. Depois de alguns anos, esse agente policial pode postular sua progressão na carreira para o cargo de detetive (detective) no qual passará a exercer funções investigativas e não mais usará uniformes. A carreira segue com os cargos de sargento (sergeant), que chefia outros policiais; de tenente (lieutenant), que coordena os sargentos; e de capitão (captain), que comanda o que chamaríamos de delegacia.

Apesar do que a semelhança dos nomes poderia sugerir, não se trata de patentes, mas de cargos, pois todos são funcionários públicos civis. Cada policial está subordinado apenas a seus superiores hierárquicos em linha direta, assim como um escrivão judicial brasileiro está subordinado ao juiz com o qual trabalha. Um agente policial estadunidense não está subordinado de qualquer forma às ordens de um capitão de uma unidade policial que não é a sua, assim como o escrivão judicial brasileiro não deve qualquer obediência a juízes de outras varas. Para se ter uma ideia da importância dessa diferença, basta imaginar a situação difícil em que fica um policial militar brasileiro ao parar, em uma blitz, um capitão a quem, para início de conversa, tem o dever de prestar continência. A hierarquia militar acaba funcionando, em casos como esse, como uma blindagem para os oficiais, em um nítido prejuízo para o princípio republicano da igualdade de tratamento nos serviços públicos.

As vantagens de uma polícia exclusivamente civil são muitas e, se somadas, a unificação das polícias ostensiva e investigativa em uma única corporação de ciclo completo só traz benefícios para os policiais, em termos de uma carreira mais atrativa, e aos cidadãos, com um policiamento único e mais funcional.

No Brasil, tramita no Senado da República a Proposta de Emenda à Constituição nº 102/2011, de autoria do senador Blairo Maggi (PR/MT), que, se aprovada, permitirá aos estados unificarem suas polícias em uma única corporação civil de âmbito estadual, representando um avanço imensurável na política de segurança pública brasileira, além de uma melhor aplicação do dinheiro público, que não mais terá que sustentar duas infraestruturas policiais distintas e, algumas vezes, até mesmo concorrentes.

A unificação das polícias também possibilitaria uma carreira policial bem mais racional do que a que temos hoje. O policiamento ostensivo é bastante desgastante e é comum que, à medida que o policial militar envelhece, ele acabe sendo designado para atividades que exijam menor vigor físico. Como atualmente existem duas polícias e, portanto, duas carreiras policiais distintas, os policiais militares acabam sendo designados para tarefas internas, típicas de auxiliar administrativo, mas permanecem recebendo a mesma remuneração de seus colegas que arriscam suas vidas nas ruas. Com a unificação, ocorreria o que acontece na maioria das polícias do mundo: ele seria promovido para o cargo de detetive e sua experiência como policial ostensivo seria muito bem aproveitada na fase de investigação. Para suprir os cargos administrativos meramente burocráticos, bastaria fazer concursos para auxiliares administrativos que requerem vocação, habilidades e treinamento bem mais simples daqueles exigidos de um policial.

Por outro lado, os policiais civis que realizam o trabalho de investigação atualmente são recrutados por meio de concursos públicos e começam a exercer suas atividades investigativas sem nunca terem tido experiência policial nas ruas. Com a unificação da polícia, o ingresso se daria sempre para o cargo de policiamento ostensivo, no qual o policial ganharia experiência e só então poderia ascender na carreira para os cargos de investigação. Um modelo que privilegia a experiência prática, e não o conhecimento técnico normalmente exigido em provas de concursos.

Finalmente, a unificação das polícias acabaria também com os julgamentos de policiais pela Justiça Militar. Pelo atual sistema, os crimes praticados por policiais militares em serviço (exceto crimes dolosos contra a vida de civis) são julgados não pelo juiz criminal comum, mas pela Justiça Militar, em uma clara violação do princípio republicano da isonomia. É como se as universidades federais tivessem uma Justiça Universitária para julgar os crimes praticados por professores durante as aulas; ou as indústrias tivessem uma Justiça Industrial para julgar os crimes praticados por metalúrgicos em serviço. Uma espécie de universo paralelo jurídico que só se explica pela força política dos militares quando da promulgação da Constituição de 1988.

Desmilitarizar e unificar as polícias estaduais brasileiras é uma necessidade urgente para que haja avanços reais na nossa política de segurança pública. Vê-se muito destaque na mídia para projetos legislativos que demagogicamente propõem o aumento de penas e outras alterações nos nossos códigos Penal e de Processo Penal como panaceia para o problema da criminalidade. Muito pouco se vê, porém, quanto a propostas que visem a repensar a polícia brasileira.

De nada adianta mudar a lei penal e processual penal se não se alterar a cultura militarista dos seus principais aplicadores. Treinem a polícia como militares e eles tratarão todo e qualquer suspeito como um militar inimigo. Treinem a polícia como cidadãos e eles reconhecerão o suspeito não como “o outro”, mas como alguém com os seus mesmos direitos e deveres. Nossa polícia só será verdadeiramente cidadã quando reconhecer e tratar seus próprios policiais como civis dotados dos mesmos direitos e deveres do povo para o qual trabalha. 

 

Por Túlio Vianna

 

 

Consciência Política PM&BM
 
 


 


Um comentário:

  1. voces não sabem o que é uma unificação. somente quem passou por uma sabe muito bem. ninguem fica contente, pois todos saem perdendo. voces policiais militares ficarão em desvantagens. em 1970 a unificação da FP com a GC, o pssoal da GC teve a passagem para a PM de acordo com o salario da época. o pessoal da FP ganhava menos que os da GC, pois a constituição não permitia que nos tivessemos salarios superiores ao pessoal das FFAA. hoje os policiais civis estão se preparando para ganhar mais que a PM, justamente visando uma unificão futura. na unificação entre FP e GC nós da FP não tivemos direito a optar. os da GC tiveram esse direito, e muitos foram para a policia civil. nos fomos prejudicados e eles também, pois na GC o regime era diferente. não pensem os senhores que era uma maravilha, pois convivi e trabalhei com a grande maioria do pessoal da GC, eles contavam sobre as perseguições, sobre os protegidos dos chefes, sobre os "acharques",no transito, sobre as caixinhas para a chefia. muitos até achavam que estavam melhor na PM, pois eram mais respeitados. obs. bem poucos passaram para a PM como soldados; a grande maioria passou como sargentos, devido ao salario de um guarda (classe especial, 1ª ou 2ª classe) ser igual ao 2º, 3º sgt e cabo da FP, respectivamente. somente o classe distinta é quem tinha curso, passou para a PM como 1º sgt. então, isso levou mais de 20 anos para regularizar, pois uma promoção na epoca levava em media de 12 a 13 anos, como foi o meu caso que levei 13 anos para ir de 3° a 2º sgt, devido o inchaço no quadro. portanto,uma unificação entre PM e PC será bem pior, para ambos os lados. se hoje a segurança publica está uma lástima, com a unificação ficará muito pior.

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