quarta-feira, 2 de maio de 2012

Consciência política também deve ser assunto na hora do jantar



Fazer política será sempre pensar na nossa relação com os outros, no bem estar da maioria. Isso deve estar presente e orientar o currículo escolar e a vida social de toda família
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 “A política é como a esfinge da fábula: devora a todos que não lhe decifram os enigmas” Essa frase, do escritor francês Antoine Rivarol, sintetiza o motivo maior da preocupação em educar politicamente os jovens. Com a conquista da democracia, a responsabilidade de zelar pelos rumos do país saiu exclusivamente das mãos dos governantes e chegou até nós, cidadãos que vão à urna exercer o direito de votar. Só que precisamos aprender que, além disso, temos o dever de fiscalizar. 


O assunto não parece um dos melhores para se discutir, ao redor da mesa, com a família, depois de mais um dia de trabalho. Pressupõe-se que será uma conversa longa com muita discussão e diálogo além de exigir participação de todos na negociação de posturas. Mas o fato é que em um país onde não se formam cidadãos conscientemente políticos, o futuro da sociedade fica a mercê dos poucos que entendem do assunto. E isso não é, no mínimo, confortável para a nação.
Por isso chamar a atenção para algo tão delicado se faz urgente, principalmente em época de eleição onde os olhos se voltam para a decisão eleitoral do mês de outubro. Penso que a política é a essência do relacionamento humano. Quanto mais nossa sociedade – e nossas vidas – se tornam mais complexas, mais nos metemos de cabeça na política. Entender a dinâmica da vida, nossos relacionamentos, nossos caminhos, sonhos, projetos, nossa identidade, tudo isso se vincula à atividade política, aqui entendida como a arte suprema da busca do bem estar coletivo. Fazer política, nesse sentido será sempre pensar na nossa relação com os outros, no bem estar da maioria. Isso deve estar presente e orientar o currículo escolar e a vida social de toda família.
É preciso vencer o tabu do medo ideológico incutido nos educadores que política não combina com escola. Pois a verdade é totalmente o contrário. As duas vertentes estão diretamente ligadas à vida em sociedade e precisa ser tratada com transparência e clareza para que se formem cidadãos mais esclarecidos sobre o poder que exercem na democracia.
Não se pode transferir a formação política dos jovens
A maioria das escolas e dos educadores nesse momento são vítimas de certo descaso e falta de investimentos públicos na educação pública. Vivemos a consequência dos últimos governos, da mordaça, da fraqueza da nossa jovem democracia e da tibieza da maioria dos líderes políticos. Tudo isso refletiu e ainda reflete na organização, na competência e no desempenho das escolas. Ao redefinir o seu papel na sociedade é preciso que a escola encontre o espaço necessário para a educação política.
Nesse sentido, os pais precisam ter a noção de que não se podem transferir para as instituições de ensino a total responsabilidade da formação política dos jovens, pois dessa forma abrirão uma lacuna no diálogo domiciliar tão importante quanto os debates escolares.
Ao longo e médio prazo a intervenção da escola e da família no sentido de formar pessoas com uma visão da política como a busca pelo bem estar coletivo, certamente contribuirá para formar líderes políticos mais conscientes do seu papel e mais responsáveis com uma sociedade socialmente mais justa. Da mesma forma que o regime político ditatorial que se instalou no país a partir de 1964 abolindo, entre outras coisas, a discussão política e filosófica na escola, contribuiu para deixar um enorme vácuo na formação de novos líderes nessa perspectiva.
Mesmo que as mudanças em uma sociedade não passem apenas por crianças e jovens, é importante salientar que com essa base política elas mudarão o foco do seu olhar e do seu comportamento, lidando com mais atenção e sabedoria com as coisas da vida. E, cá entre nós, isso já é bastante. Se discutirem nas escolas um pouco mais sobre política, no mínimo, votarão com mais sabedoria e aprenderão a controlar e cobrar os nossos políticos partidários. Educação é à base de todas as sociedades mais evoluídas socialmente. E educação pela política é a semente do “em se plantando dá”.

Edson Garcia Gomes
Autor do livro De Olhos Bem Abertos – A política presente em nosso cotidiano (FTD)
comunicacao1@joribes.com.br

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